Peças de teatro, musicais infantis e espetáculos de dança atraem público ao Monte Carmo Shopping e reforçam papel da cidade no circuito cultural mineiro
Enquanto os blocos tomavam as ruas da cidade no CarnaBetim, outro movimento cultural importante acontecia nos palcos de Betim: a reta final da 51ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, uma das maiores iniciativas de circulação de espetáculos cênicos em Minas Gerais. Em 2026, a campanha completou 51 anos de história e, mais uma vez, reservou um capítulo especial para o município, que recebeu apresentações no espaço de eventos do Monte Carmo Shopping, no bairro Ingá, entre 8 de janeiro e 8 de fevereiro.
Com ingressos a preço único de R$ 25, a campanha apostou em acessibilidade econômica e diversidade de linguagens. A programação em Betim incluiu comédias para o público adulto, dramas contemporâneos, espetáculos de dança e produções infantis, como o musical “Chapeuzinho Vermelho”, apresentado nos dias 7 e 8 de fevereiro, em sessões às 20h e 19h, respectivamente. O objetivo foi garantir que famílias inteiras pudessem ter contato com o teatro de qualidade, sem precisar se deslocar até Belo Horizonte.
Um dos grandes destaques foi o espetáculo “Cabaré Lidô”, com participação da atriz betinense Hanna Maria. A presença de artistas da própria cidade no elenco teve efeito simbólico poderoso para o público local: ver alguém que cresceu em Betim, formou-se em artes cênicas e hoje circula em grandes festivais voltar para se apresentar “em casa” reforça a percepção de que o teatro também é um caminho possível para jovens talentos. “Estar em cena em Betim, a minha cidade, dentro da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, reafirma o poder transformador da arte e do encontro. A gente mostra que o palco também é lugar para histórias que nasceram aqui”, destacou a atriz em entrevista à imprensa local.
A campanha faz parte de um esforço maior de descentralização cultural em Minas. De acordo com informações divulgadas pela Funarte e pelos organizadores, a edição 2026 reuniu mais de 220 espetáculos em Belo Horizonte e região, sendo 28 produções apresentadas especificamente em Betim, somando 31 sessões. A curadoria privilegiou tanto produções consagradas quanto grupos independentes em ascensão, ampliando o leque de estilos, temas e formatos. Houve espaço para stand-up comedy, teatro de grupo, dança contemporânea e montagens clássicas voltadas ao público infantil, em uma programação que buscou dialogar com públicos diferentes e faixas etárias variadas.
Para a Secretaria Municipal de Cultura, a presença da campanha em Betim é estratégica por, pelo menos, dois motivos. Primeiro, porque ela ajuda a formar público para as artes cênicas, permitindo que pessoas que raramente vão ao teatro experimentem essa linguagem em um ambiente acessível, com estacionamento, praça de alimentação e estrutura completa. Segundo, porque a campanha funciona como vitrine para artistas betinenses e da região, que podem se conectar a uma rede mais ampla de produtores, diretores e espaços culturais.
O Monte Carmo Shopping, por sua vez, consolidou-se como parceiro importante do projeto, oferecendo o espaço de eventos, estrutura de som e iluminação e suporte operacional. Muitas sessões tiveram boa ocupação, especialmente nos fins de semana, quando famílias aproveitaram o passeio no shopping para emendar com um espetáculo. A venda antecipada de ingressos pelo site oficial da campanha e pelo portal “Vá ao Teatro” também foi apontada como fator facilitador, já que permitiu planejamento e evitou filas de última hora.
Para além dos números de público e da quantidade de sessões, a passagem da 51ª Campanha de Popularização por Betim reforça uma ideia central: a de que a cultura não se resume a grandes festivais pontuais ou a eventos concentrados apenas na capital. Ao integrar o circuito, a cidade se posiciona como protagonista em um calendário cultural de alcance estadual, oferecendo ao seu público uma programação contínua e qualificada. A expectativa é de que, nos próximos anos, Betim continue na rota da campanha, ampliando o número de espetáculos, estimulando a formação de plateia e, quem sabe, desenvolvendo produções próprias que possam circular por outras cidades.












